Tratamentos complementares para fibromialgia

A fibromialgia é uma doença difícil de ser detectada, e caracterizada por diferentes sintomas como dores nas articulações e em pontos específicos do corpo, fadiga, ansiedade, insônia e até depressão. Sua ocorrência é muito mais comum nas mulheres do que nos homens.

O tratamento comum para a fibromialgia costuma incluir analgésicos e antidepressivos, que ajudam a aliviar os sintomas. No entanto, estudos mostram que, em alguns casos, a medicação administrada é ineficiente e pode até causar efeitos colaterais indesejáveis.

Uma recomendação que vem ganhando força é a de combinar os remédios convencionais com outros tipos de tratamentos e terapias complementares e naturais, para obter o melhor resultado possível.

TRATAMENTOS COMPLEMENTARES

DANÇA DO VENTRE

A modalidade diminui a dor e aumenta a vitalidade, de acordo com uma pesquisa apresentada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As 40 mulheres que se submeteram a duas aulas da dança por semana, por quatro meses, sentiram maior bem-estar em comparação com outras 40 pacientes que fizeram exercícios regulares. A explicação: a autoestima foi elevada, o que refletiu no estado geral de cada uma delas.

ACUPUNTURA COM ELETROTERAPIA

A utilização de aparelho que emite estimulação elétrica na agulha (em frequência alta e baixa) relaxa a musculatura e ajuda o corpo a liberar endorfinas, promovendo efeito analgésico.

MASSAGEM

Num estudo espanhol, pesquisadores submeteram os pacientes a 90 minutos de massagem miofascial durante 20 semanas. Resultado: menos dor e ansiedade. No método, o fisioterapeuta faz o alongamento do tecido que envolve o músculo e que normalmente é contraído com a doença.

PERDA DE PESO

Baixar 4,4% do peso pode diminuir os sintomas, já que o sobrepeso contribui para a fadiga e o stress das articulações. Um estudo norueguês mostra que o excesso de gordura em mulheres aumenta em até 70% o risco de fibromialgia. É que elevados níveis de substâncias inflamatórias como as citocinas são comuns em pessoas obesas e com fibromialgia.

SHIATSU

Essa massagem japonesa diminui as dores crônicas generalizadas, de acordo com uma pesquisa da fisioterapeuta Susan Yuan, da Universidade de São Paulo (USP). Após 16 sessões do tratamento, foram observados efeitos muito positivos também no sono. O shiatsu desbloqueia o fluxo de energia vital, cujo acúmulo em áreas do corpo provoca dor. Isso melhora a circulação sanguínea, reduz a tensão muscular e libera analgésicos naturais.

VITAMINA D

Estudos mostram que os níveis de vitamina D em pessoas que sofrem de fibromialgia costumam ser baixos. Conhecida como a vitamina da luz solar,aumentar seus níveis no corpo pode contribuir para diminuir a sensação de dor, já que ela atua tanto nos nervos quanto nos músculos.

A principal fonte de vitamina D é o sol, mas ela também pode ser encontrada em alimentos de origem animal como laticínios, peixes, carnes e ovos.

ACUPUNTURA

Esta técnica milenar chinesa pode ser usada como tratamento complementar eficaz para a fibromialgia. Além de ajudar a aliviar dores crônicas, pacientes também costumam reportar uma melhora nos níveis de ansiedade e cansaço.

Se você estiver sofrendo com os sintomas, definitivamente vale a pena tentar. No entanto, lembre-se de que o alívio é temporário, portanto o ideal é fazer sessões de acupuntura regularmente.

CAPSAICINA

A capsaicina é uma substância presente nas pimentas vermelhas, que é usada como ingrediente ativo em diversos cremes e loções que podemos comprar nas farmácias. Ela possui propriedades analgésicas, e quando é aplicada a partes doloridas do corpo, estimula a liberação de uma substância que reduz a sensação de dor.

Ela já foi usada em tratamentos de dores crônicas relacionadas à diabetes, câncer e enxaquecas, e pode também aliviar as dores da fibromialgia.

O que é Fibromialgia?

Quem sofre desse transtorno sabe quão complicado ele é para ser descoberto e combatido. Um mix de sensações ruins, como dor, fadiga, indisposição e dificuldade para dormir, se manifesta dando margem para várias possíveis doenças serem diagnosticadas, como hipotireoidismo e lúpus. A artrite reumatoide é frequentemente relacionada com a disfunção, porém uma não tem nada a ver com a outra. “Embora a fibromialgia envolva músculos, tendões e ligamentos, ela não causa inflamação ou dano às articulações, aos músculos, tecidos e órgãos”, explica Tatiana Hasegawa, reumatologista de São Paulo.

O QUE É FIBROMIALGIA?

A dor é uma sensação desconfortável que avisa que há algo de errado com o organismo. Ela pode durar dias, semanas e até meses, mas depois de um tempo, ela pode passar a ser parte da vida. Quando isso acontece, ela passa a ser mais do que um sintoma, e se torna a própria doença. Estamos falando da fibromialgia. A fibromialgia é um dos maiores mistérios da medicina.

A fibromialgia é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas. O principal deles é a dor em vários pontos do corpo, principalmente nos ombros e na coluna. A fibromialgia é uma síndroma crónica caracterizada por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. Outras manifestações que acompanham também as dores são a fadiga, as perturbações do sono e os distúrbios emocionais. Alguns doentes queixam-se de perturbações gastrointestinais.

Exatamente pela falta de achados objetivos, a fibromialgia era no passado considerada uma doença de natureza psicossomática (de origem psicológica). Seu reconhecimento como “doença real” só foi obtido em 1987.

CAUSAS DO PROBLEMA

A doença é mais frequente nas mulheres, mas pode atingir pessoas de qualquer faixa etária, sendo mais comum em indivíduos com mais de 20 anos de idade. A doença não tem uma causa definida, mas está associada a um desequilíbrio nos níveis de alguns neurotransmissores do cérebro, como a serotonina e a endorfina. Nestes pacientes, o tálamo, que funciona como um centro de dor do organismo fica mais ativo que o normal. Apesar de o principal sintoma ser invisível a olho nu, o diagnóstico é clínico.

No caso de suspeita da doença procure um médico reumatologista ou neurologista. A síndrome pode ser controlada com medicamentos, exercícios e terapias.

OUTROS SINTOMAS DA FIBROMIALGIA

Além da dor a fibromialgia pode causar sensação de formigueiro e inchaço nas mãos e pés, principalmente ao levantar da cama assim como ocasionar rigidez muscular.

Outra alteração da fibromialgia associada à dor é a fadiga, que se mantém durante quase todo o dia com pouca tolerância ao esforço físico.

Quando o sintoma Dominante é a Fadiga a doença tem sido designada por Síndroma da Fadiga Crónica.

As pessoas com fibromialgia queixam-se com frequência de ansiedade, às vezes há depressão, perturbações da atenção, concentração e da memória.

Alguns doentes têm queixas gástricas e cólon irritável.

Cerca de 70% dos doentes com fibromialgia queixam-se de perturbações do sono, piorando as dores nos dias que dormem pior.

Os registos electroencefalográficos podem apresentar alterações em relação com as perturbações do sono.

Há relatos de casos de fibromialgia que começam depois de uma infecção bacteriana ou viral, um traumatismo físico ou psicológico.

Existem estudos que mostram que pessoas com esta doença, apresentam níveis baixos de algumas substâncias importantes, particularmente a serotonina e níveis elevadas de proteína P relacionados com a dor.

MEDICAMENTOS PARA FIBROMIALGIA

Uma grande variedade de medicamentos têm sido usados ​​para controlar os sintomas da fibromialgia. Os medicamentos que têm sido mais eficazes são os de ação no sistema nervoso central, como os antidepressivos e as drogas anticonvulsivantes. Em contraste, medicamentos que agem exclusivamente na dor, como anti-inflamatórios e analgésicos, são menos eficazes. Estes últimos, porém, podem ser usados em associação com os antidepressivos, potencializando seus efeitos contra a dor.

Exemplos de medicamentos de ação central que podem ser usados no tratamento da fibromialgia:
– Fluoxetina.
– Paroxetina.
– Ciclobenzaprina.
– Amitriptilina.
– Gabapentina.
– Pregabalina.

Artigo: Benefícios dos Exercícios Físicos na Fibromialgia

RESUMO

O exercício é uma intervenção de baixo custo que pode promover saúde em vários aspectos e é capaz de reduzir a dor e outros sintomas da fibromialgia (FM). Nos últimos 20 anos, muitos ensaios clínicos sobre exercício para a FM foram publicados. Apesar dos erros metodológicos, há forte nível de evidência de que exercícios aeróbios supervisionados são eficazes na redução da dor, número de pontos dolorosos, qualidade de vida e depressão. Neste artigo de revisão, os ensaios clínicos de exercício no tratamento da FM são relatados e comentados, e orientações para a prescrição de exercícios foram apresentadas. Foram sugeridos que outros estudos sejam desenvolvidos para melhorar a prescrição de exercício para FM, assim como quais são as principais perguntas a serem respondidas e cuidados metodológicos a serem observados. Palavras-chave: fibromialgia, exercícios, atividade física.

Introdução

A síndrome da fibromialgia (FM) se caracteriza por dor crônica generalizada, distúrbio do sono e fadiga. Estes pacientes, caracteristicamente exibem diminuição da aptidão cardiorrespiratória. Há evidência de que a atividade física modula a dor em pacientes com FM. Um dos primeiros investigadores a observar relação entre dor e exercício foi Moldofsky. Este estudo demonstrou que a privação do sono diminuia o limiar de dor em sedentá- rios, mas o mesmo não acontecia em indivíduos treinados. Apenas uma década mais tarde, ensaios clínicos foram publicados demonstrando que exercícios aeróbios diminuem a dor na FM. A Tabela 1 sintetiza os resultados, desenhos, instrumentos e desfechos dos principais estudos sobre exercício na FM, desde 1988 até 2005.

Nos últimos 20 anos, foram publicados 28 ensaios clínicos sobre exercício no tratamento da FM, incluindo aproximadamente 1500 pacientes. Desses, 12 avaliaram o condicionamento aeróbio, 10 estudaram programas combinados ou associados ao tratamento medicamentoso ou outras intervenções não-farmacológicas. Apenas três envolveram treino de força. Exercícios de alongamento foram utilizados como intervenção-controle em muitos estudos. Uma orientação para a prescrição de exercícios baseada nos trabalhos já descritos  e experiência clínica pessoal está apresentada na Tabela 2. Esta tabela está dividida em dois componentes principais: orientações a serem observadas antes do início do programa de exercício, e aquelas durante o programa.

Antes de iniciar um programa de exercícios é importante fazer uma avaliação funcional e cardiovascular para identificar condições que possam interferir no desempenho e na resposta ao exercício ou oferecer risco como doença coronariana e hipotensão postural. As co-morbidades musculoesqueléticas podem limitar o treinamento e devem ser tratadas previamente. Atenção especial deve ser dada à revisão dos medicamentos em uso, pois muitos interferem na resposta hemodinâmica. A anamnese também deve conter informações da história pregressa de hábito de atividade física (freqüência, modalidade, preferência, tolerância e comportamento familiar em relação ao exercício). Estas informações ajudam a individualizar a prescrição e aumentar a adesão.

Vale também reforçar o quanto o exercício é importante no controle da dor e de vários sintomas relacionados. Importante informar que embora deva ser praticado indefinidamente, o benefício ocorre apenas entre oito e dez semanas após o início do programa e continua aumentando até a vigésima semana, mas alguns indivíduos podem sentir-se pior e com mais dor, inicialmente(17). Assim como a prescrição de medicamentos deve conter dose, duração e intervalo, a prescrição do exercício deve detalhar orientações sobre a intensidade inicial do treino e como aumentar progressivamente a carga. Para adequada prescrição individual é importante considerar as preferências do paciente, co-morbidades, uso de medicamentos, capacidade funcional e se possível, avaliação ergométrica. Sugerimos que a prescrição do exercício seja por escrito, pelo médico, como é feito com os medicamentos, pois isto aumenta a adesão e facilita a interface com os fisioterapeutas e educadores físicos. A relação médico–paciente pode e deve ser usada para aumentar a adesão também nas intervenções não-farmacológicas. Mais de 60 diferentes instrumentos de avaliação têm sido usados em estudos sobre exercícios e FM, dificultando a meta-análise. Muitos não descreveram os protocolos de exercício com informação suficiente sobre intensidade, duração, freqüência e modalidade usadas nos grupos intervenção-controle ou intervenção. Efeitos adversos também têm sido pobremente relatados(33).

Apesar das falhas metodológicas de alguns estudos, há forte evidência de que o exercício aeróbio supervisionado reduz a dor, o número de pontos dolorosos, depressão, ansiedade, melhora a qualidade de vida, e outros aspectos psicológicos(17, 33). Assim, atividade física aeróbia deve ser prescrita para todos os pacientes com FM, com exceção daqueles com alguma contra-indicação (raramente). Enquanto o benefício mais expressivo parece ser com exercícios aeróbios, o fortalecimento e o alongamento também têm efeitos terapêuticos. O alongamento tem sido usado como intervenção-controle, mas não é um placebo ideal, pois foi observada alguma melhora.

É interessante observar que os aspectos emocionais e psicológicos foram modificados pelo exercício aeróbio, mas não pelo alongamento. Quando os componentes físicos e psicológicos foram agrupados, ficou claro que o condicionamento aeróbio é superior ao alongamento(17). Uma hipótese para explicar esta observação é que o treino aeróbio provoca mudanças neuroendócrinas necessárias para a melhora do humor (aumento de serotonina e norepinefrina) e o alongamento não. Poucos estudos, com amostra pequena sobre fortalecimento na FM, têm sido publicados e demonstraram que o treino de força promove maior melhora quando comparado com treino de flexibilidade(28-30). Mais estudos comparando treino de força e alongamento são necessários, mas ambos são seguros e podem ser prescritos. Assim como para outras doenças reumáticas, a hidroterapia é comumente prescrita na FM.

Existem seis estudos publicados avaliando balneoterapia, banhos e exercícios aeróbios na água(11,23,25,34-36). Assis e cols(36) recentemente demonstraram que deep running é um pouco melhor que o condicionamento aeróbio em solo na melhora dos escores do Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ) e aspectos psicológicos da qualidade de vida. Pacientes com FM parecem necessitar de um período maior e mais esforço pessoal para adaptação a um programa de exercício. Por isso, a progressão da carga deve ser mais lenta que o habitual. Além disso, pacientes podem até piorar nas primeiras oito semanas(6). Por isso, ensaios de curta duração não demonstraram melhora na qualidade de vida(19,21,23,31), enquanto programas mais longos, com mais de 15 semanas conseguiram observar melhora em vários aspectos, inclusive qualidade de vida(17, 25, 26). Uma outra observação interessante nesta população é que os benefícios conseqüentes do alongamento ocorrem em dez semanas e se estabilizam, enquanto a melhora associada ao condicionamento aeróbio é evidente com dez semanas e continua aumentando até 20 semanas. Então, o tempo necessário para melhora sintomática pode ser diferente para cada tipo de exercício.

A análise dos resultados no tempo (10 e 20 semanas) mostra que os pacientes primeiro ganham aptidão física e apenas depois ocorre melhora clínica(17). Nos ensaios clínicos publicados sobre exercício na FM, as perdas variaram de 9 a 50%(32). Esta baixa adesão ao exercício também ocorre em populações saudáveis. Apenas 8% dos homens e 2% das mulheres entre 50 e 64 anos estão engajados em uma atividade física regular(37). Apesar dos benefícios à saúde, apenas 50% das pessoas saudáveis que iniciam um programa de exercício continuam após seis meses(38). Na realidade, a baixa adesão não é um problema exclusivo das intervenções físicas. Apenas 30% dos pacientes retornam para reavaliação e apenas 50% tomam a medicação prescrita. Em pacientes com FM, os fatores mais preditivos de adesão a um programa regular de exercício foram idade, nível socioeconômico, depressão, escolaridade, auto-eficácia e convívio social(39). Em um estudo transversal(40), interação com outros pacientes com FM também é importante, pois o principal fator relacionado ao nível de atividade física foi ser membro de uma associação de pacientes. Apenas dois estudos foram desenhados para avaliar os determinantes de adesão, mostrando que um programa educacional associado não aumentou a participação regular(15) e que exercícios supervisionados(24) têm maior adesão (72%) do que treino não-supervisionado (50%, p<0.05). Os indivíduos que abandonaram o tratamento foram aqueles que inicialmente tinham piores escores de dor, eram mais estáveis emocionalmente e com maior vitalidade. Então, indivíduos com mais dor podem ter menos tolerância ao esforço, e aqueles que se sentem emocionalmente piores podem sentir-se mais apoiados e cuidados em um grupo. Neste mesmo estudo, a adesão foi similar no grupo de alongamento e de treino aeróbio(17).

De acordo com Jones et al(32): “Embora por décadas é conhecido que o exercício é um componente-chave no tratamento da FM, a maioria dos pacientes permanece sedentária“. A não-adesão a um programa de exercício é percebida pelos profissionais de saúde como um desejo inconsciente de permanecer doente. Por esta razão, alguns médicos condicionam o tratamento com a adesão à atividade física. Uma melhor compreensão das variáveis envolvidas no exercício irá permitir melhor abordagem e adesão. Apenas cinco estudos usaram parâmetros de avaliação e prescrição definidos de acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM). Os critérios de prescrição de intensidade de treino aeróbio aceitos pelo ACMS são a freqüência cardíaca máxima (FCmax), freqüência cardíaca de reserva (FCR) ou consumo de reserva de oxigênio (VO2 R) e limiar anaeróbio (LA). A FCmax pode ser obtida por teste ergométrico ou freqüência cardíaca estimada para a idade. O limiar anaeróbio pode ser definido como o maior consumo de oxigênio obtido sem acidose lática sustentada. Pode ser medido por lacticemia ou por análise de gás expirado. Para ser considerado um treino aeróbio, o indivíduo tem que atingir 55%/65-90% da FCmax ou 40%/50-85% do VO2 R ou da FCR. Os níveis mais baixos de intensidade de treino, por exemplo 40-49% da VO2 R ou FCR, e 55-64% da FCmax, são os mais aplicáveis para indivíduos descondicionados(41).

A intensidade de treinamento ideal não está estabelecida. Em dois estudos prévios(17,36) não houve correlação entre o nível de condicionamento cardiorrespiratório atingido e a melhora na qualidade de vida dos participantes, sugerindo que os programas de exercícios não precisam estar focados em ganhar aptidão física. No entanto, nem sempre aquilo que parece óbvio se comprova ser verdadeiro. Atualmente, o ACMS já reconhece que a intensidade de treinamento para promoção de saúde (reduçãodo risco coronariano, melhora metabólica e de doenças degenerativas) é menor do que aquela necessária para aumentar a aptidão cardiorrespiratória traduzida por aumento de consumo de oxigênio. Entretanto, é importante conhecer a intensidade mínima de treino capaz de promover melhora da dor. Três estudos abordaram esta questão, todos tiveram amostra pequena e falharam em apresentar diferença significativa entre grupos de alta e baixa intensidades(14,42,43). Considerando estes resultados e que pacientes com FM são descondicionados, o consenso atual é de que a prescrição de treino de baixa intensidade é mais adequada(32). Por outro lado, estudos que utilizaram apenas baixa intensidade mostraram tendência de melhora, mas falharam em demonstrar benefícios estatisticamente signifitivos.

Analisando os estudos, os três que prescreveram programa de moderada a alta intensidades, definido como aquele capaz de elevar a freqüência cardíaca até a freqüência do limiar anaeróbio, foram os que conseguiram benefícios clínico e estatístico mais significativos(17,6,36). É possível que treinos de moderada a alta intensidades sejam os mais efetivos em reduzir dor e sintomas psicoafetivos em pacientes com FM. Considerando que pacientes com FM geralmente não atingem teste máximo, o limiar anaeróbio é o melhor parâmetro de prescrição e avaliação de aptidão cardiorrespiratória e deveria ser utilizado em todos os protocolos de pesquisa(4). Entretanto, para sua obtenção é necessário análise do gás expirado, que não pode ser realizado em todos os centros.

Recomendamos que na FM, a intensidade de treinamento seja a freqüência cardíaca do LA ou logo abaixo dela, pois indica uma intensidade adequada para ganho de aptidão, com maior segurança e maior adesão. Infelizmente, a realização de teste ergoespirométrico para determinação do LA não é acessível para a maioria, na prática clínica diária. Quando possível, a determinação do LA indica a intensidade de treino ideal (tolerável e capaz de promover melhora clínica significativa). Em pacientes com FM, a freqüência cardíaca do LA é mais baixa do que nos controles normais(4) e, diferente do que seria o esperado, a FCmax e a de repouso não mudam depois de adequado treino aeróbio(17). Então, quando não for possível medir diretamente o LA, recomendamos que em pacientes com FM, a fórmula de Karvonen seja usada para encontrar a freqüência de treino, pois ela considera a FCmax e a de repouso. A FCmax pode ser estimada pelas fórmulas [220-idade] e [208 – 0,7* idade].

Assim, a FCmax estimada pode ser aplicada na fórmula de Karvonen, conforme exemplificado a seguir: FC de treino (60-80%) = [(FCmax – FCR) * 60% FCmax + FCR]. Porém, de um modo geral, um inconveniente para a prescrição de exercícios baseados em fórmulas é a grande variabilidade da freqüência cardíaca entre os indivíduos, especialmente para aqueles que têm fibromialgia, já que podem apresentar resposta cronotrópica anormal ao exercício por disautonomia. Estudos futuros são necessários para conhecer a resposta cronotrópica ao esforço em pacientes com FM com e sem disautonomia e saber se estas fórmulas podem ser validadas e aplicadas em pacientes com FM ou se há fórmula específica para esta população. Com base nos estudos apresentados, as perguntas que ainda precisam ser respondidas bem como algumas observações para melhorar a qualidade metodológica dos estudos futuros sobre exercício na FM estão apresentados nas Tabelas 3 e 4.

Orientacoes para exercicios fisicos na fibromialgia
Orientacoes para exercicios fisicos na fibromialgia

 

Fontehttp://www.scielo.br/pdf/rbr/v46n1/29387.pdf

Introducing: Dr. Deniz Zeynep

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